Soube que na primavera passada, em Naga, uma flor perdeu a si mesma de vista e quis ser um javali. Queria sentir o tipo de felicidade que um javali sente (mas a felicidade de um javali é uma coisa destinada ao uso exclusivo de um javali).
Todas as pétalas eram inúteis: não sabiam matar. Mas as lições de matar são as mesmas lições de morrer, são coisas que compreendem o sim e o não, coisas impossíveis para uma flor. Isso ela soube diante do fogo, diante do primeiro grande incêndio de verão que acometeu a floresta de Naga. Ela só sabia dizer sim. Isso é ser uma flor: oferecer-se ao que não pode entender.
Depois do grande incêndio, os javalis passaram a lhe parecer grotescos e covardes e quanto menos os compreendia, mais botões rosados irrompiam de sua pele verde.
Hoje, quando vê o mundo (como ele escurece, como se transforma sem que haja mudanças), a flor de Naga se entrega.



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