"... ao passo que amar eu posso até a hora de morrer. Amar não acaba."
"E considerou a cruel necessidade de amar. Considerou a malignidade do nosso desejo de ser feliz. Considerou a ferocidade com que queremos brincar. E o número de vezes em que mataremos por amor".
Não esperava a surpresa, mas um dia o pai entrou em seu quarto carregando uma bolota peluda e arfante. O pai não notava sua habilidade de ver coisa viva e dizer: "minha!", mas agora passava para o filho a responsabilidade de ser criatura humana: saber possuir. O animal era propriedade do menino.
“Meu cachorro”, e uma coceira de prazer lhe subiu pela garganta. “Meu!”, ele disse e o cão latiu. Possuir era bom.
O animalzinho queria se deter em muitas folhas e cheiros que achava na calçada, mas era arrastado para a sua primeira exibição pública no parque. Enquanto todos os meninos se dedicavam às suas posses coloridas e mortas, ele teria um brinquedo vivo. Seria o único. Todos o olhariam com aprovação e inveja. Menos Teresa. Teresa desdenhou o cachorro e, para os seus olhos, ela olhou com firmeza. Mas os olhos do menino não são propriedade, são só duas coisas acesas. O que será que ela buscava? Alguma coisa maior que uma vida de cão? O olhar da menina corria. O cachorro voltou a ser um habitante do mundo e já não tem dono, vai brincar com as folhas que o vento arrasta na calçada, cujo domínio ninguém reclama e que é de todos.