Estado de São Paulo, 30 de Novembro de 2007

No ônibus, a história de um amor sem fim

Trupe Sinhá Zózima apresenta peça sutil dentro de coletivo

Livia Deodato

 
 
Prepare-se para viajar para o interior da Bahia, mais precisamente à cidade de Carinhanha, situada às margens do Rio São Francisco. Uma mal resolvida história de amor, aos moldes do poema Quadrilha, de Drummond, vai se desenrolar à luz de lampiões. E a bordo de um ônibus. A jovem Trupe Sinhá Zózima apresenta a partir de hoje, o espetáculo Cordel do Amor sem Fim, texto escrito por Cláudia Barral, que levou o 3º lugar do Prêmio Funarte de Dramaturgia de 2003.

A história de Carminha que ama José, que deseja Teresa, que espera por Antônio era contada pelo pai da autora, Carlos Barral, nascido em Carinhanha. Ele sempre garantiu que aquilo tudo havia realmente acontecido, o que motivou a dramaturga baiana a botar tudo no papel. De uma maneira simples, porém muito bem cuidada, a companhia composta por seis atores formados pela Fundação das Artes de São Caetano da Sul escolheu o ônibus como palco para a encenação. ''''Acabamos de submeter o espetáculo à Lei Rouanet. Queremos levar o Cordel do Amor sem Fim a 16 municípios ribeirinhos do Tietê a partir do ano que vem'''', conta o ator e diretor Anderson Mauricio.

Em meio a buzinaços e trânsito carregado, a trupe conseguiu prender a atenção do público que ''''viajou'''' no ônibus pelas ruas centrais da capital, durante o Satyrianas ocorrido em outubro. A imagem das três irmãs, como que emolduradas, apresentada assim que os ''''passageiros'''' sobem ao coletivo, apresenta grande força cênica. Assim como o simples recurso de bolinhas de sabão no momento em que Teresa confessa sua paixão arrebatadora por Antônio, homem que a faz acreditar no sentido da palavra esperança.

Sem nenhum patrocínio, apenas com o apoio de algumas empresas, o grupo viu como uma ótima alternativa utilizar objetos nascidos a partir da reciclagem e outros materiais de baixo custo, como as chitas que recobrem as cadeiras e viram cortinas. Vale a pena conferir.

Serviço
Cordel do Amor Sem Fim. 50 min. 12 anos. Saída: Espaço dos Satyros Um (75 lug.). Praça Roosevelt, 214, Consolação, 3258-6345. 6.ª, 22 h; sáb., 21 h. R$ 20. Até 16/12
 
 

 

Ave

(Eduardo Dusek)

 

Ave!
Que em minha casa deixaste
A face
Em todos os espelhos
Tuas asas
Manchadas
E voaste entre as cortinas
Te aninhaste entre os lençóis

Pássara!
Que em meu corpo pousaste
O rosto
Todo em sorrisos
Passageira
Veloz em minha vida
E brincaste na janela
Tão livre

Pássara!
Passarás novamente!
E lá fora és o vento distante de mim!
Pássara!
Passarás novamente!
E lá fora és o vento distante de mim!

 

 

Marina Lima - Pseudo Blues
(Nico Rezende/Jorge Salomão)
Dentro de cada um
Tem mais mistérios do que pensa o outro
Uma louca paixão avassala a alma o mais que pode
O certo é incerto, o incerto é uma estrada reta
De vez em quando acerto, depois tropeço no meio da
linha

Tem essa mágica
O dia nasce todo dia
Resta uma dúvida
O sol só vem de vez em quando
O certo é incerto, o incerto é uma estrada reta
De vez em quando acerto
Depois tropeço no meio da linha
 
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