
“Há três tipos de pessoas: Aquelas que vêem; aquelas que vêem quando alguém lhes mostra; e aquelas que não vêem.”
Leonardo da Vinci.
Porque eu prefiro Caetano.
É claro que a humanidade conheceu cabeças muito mais brilhantes que a de Caetano Veloso. O próprio Leonardo da Vinci, autor da frase acima, era um gênio pra ninguém botar defeito. Como Leonardo, há inúmeros homens e mulheres que conseguiram dar um passo além de todos nós, um passo a mais que o próprio Caetano, tanto em sensibilidade artística quanto científica, política, econômica, em todas as áreas que uma pessoa possa desenvolver sua cabeça genial.
A questão é que Caetano Veloso exerce a sua genialidade (que não é tão radiante como a de James Joyce ou de Shakespeare, claro, mas brilha com os mil sóis dos gênios) a favor e de uma forma que favorece o meu olhar.
Caetano brilha perto. Caetano me mostra, quase pessoalmente. Ensina.
É por isso que de todas as obras de arte que já me fizeram me chorar, de todas as imensas descobertas que já derrubaram meu queixo, apesar de saber que há coisas muito maiores, Caetano me toca, sempre, de uma forma muito especial. E é meu preferido. Ele, antes de Nietzsche, de Freud, dos Beatles, de Einstein, de Van Gogh, de toda a música clássica, de todo o cinema. Ele, o mundo dele, a irmã dele, as músicas dele. Quando algo que vem daí me emociona, quando algo que vem daí me acende, é como acender um lampião dentro da minha casa. Não. É como incendiar a minha casa. É a minha casa que se incendeia. É infinitivamente pessoal.
Por isso que eu prefiro Caetano, esse velho baiano, esse mico leão, a fama sem proveito, a falsa modéstia. Eu fico esperando que venha O Índio, do lado dele. E o índio virá, que ele viu. No meio de um monte de bobagens que ele faz e fala, o que é realmente importante, ele sabe.
P.s – Enquanto eu elaborava esse texto, no aeroporto de São Paulo (que tem a poesia de suas esquinas cada vez mais concreta e mais dura), Gal Costa se sentou na minha frente. Eu quis dizer: Ele tem razão, São Paulo é como o mundo todo, agora põe teus cornos acima da manada, Gal, e faz alguma coisa! Vai, Vaca, derrama o leite bom! Mas Gal estava atribulada cuidando de seu filho e eu só a cumprimentei educadamente.



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