Necrofilia homossexual de patos

 

"O pato infeliz aparentemente tinha colidido com o prédio em pleno vôo a uma altura de três metros do chão. Próximo ao animal obviamente morto, um outro macho da mesma espécie estava presente. (...) Ele montou sobre o cadáver e começou a copular, com grande força, quase continuamente bicando o canto da sua cabeça."

Os trechos acima fazem parte de um artigo histórico: o primeiro relato de um caso de necrofilia homossexual entre patos da espécie Anas platyrhynchos, publicado na revista científica holandesa Deinsea. O autor é o pesquisador C.W. Moeliker, do Museu de História Natural de Roterdã, testemunha da cena que durou espantosos 75 minutos.

A observação era inédita: patos daquela espécie já haviam sido avistados copulando com animais mortos, mas nunca do mesmo sexo. Pela insólita descoberta, Moeliker foi agraciado com o Ig Nobel 2003 na categoria biologia. Como reza a tradição, o prêmio bem-humorado foi distribuído na mesma época do anúncio dos vencedores do Nobel -- com a presença de vários laureados 'de verdade'.

Em sua 13a edição, o Ig Nobel premiou em 2 de outubro resultados "que não podem ou devem ser reproduzidos", em dez categorias. O prêmio é organizado pela equipe da revista de humor científico Annals of Improbable Research. Como nas edições anteriores, a cerimônia de entrega ocorreu no Sanders Theatre, na badalada Universidade de Harvard.

 

 

Vivência.

 

Eu estou dançando. De repente percebo que há alguma coisa sob os meus pés: o chão. Firme, imenso. Tudo o que eu piso é chão. Sempre firme, sempre duro, sempre homem. Eu quero tocá-lo com as mãos, com a boca, o que eu sou. Eu sempre sou o meu rosto. O resto do corpo vive esquecido, só é despertado na hora do sexo, ou na hora da dança. Eu quero ser o meu corpo inteiro novamente e para isso é preciso estar perto do chão, perder o medo da queda, pensar-se inteiro. "Se cair, do chão não passa". Eu já estou no chão. Meus pés tocam o chão. Eu sou meus pés, eu sou inteira. É preciso pensar-se inteiro para aprender a cair.

Como o meu corpo pode me ajudar a perder o medo da queda?

Eu ouço a música, eu sinto o chão sob meus pés e quero tocá-lo. Mas como eu posso descer até lá? Eu quero testar todas as formas de descer até o chão (Todas, inclusive na boquinha da garrafa). Que músculos que me ajudam? Eu preciso dobrar alguma coisa em meu corpo para que minhas mãos alcancem o chão? A cintura? Só a cintura? Os joelhos? É possível dobrar os joelhos sem dobrar os tornozelos junto com eles? Onde o meu corpo dói? Até onde a minha cintura dobra para trás? Até onde ela gira? Até onde eu giro? Como funciona essa máquina? Essa máquina que eu sou?

Chegar ao chão de todas as formas possíveis, em velocidades diferentes. Chegar ao chão muitas vezes, até perceber que já se estava no chão, que se é parte dele desde os primeiros passos e que o corpo é um só e não somente um rosto. Embora eu concorde com Nelson Rodrigues quando ele diz que as mãos são as mais culpadas no amor.  

 

 

 

A natureza da dramaturgia contemporânea, portanto, só é compreensível para aqueles que conseguem ver uma aguda diferença entre as culturas modernas e as antigas... Até o período moderno, a grande dramaturgia possuía não só aquelas qualidades profundas e sutis que se revelam ao analista cuidadoso e que constituem a sua grandeza; possuía ainda qualidades mais facilmente disponíveis, que despertavam o interesse em vários níveis. Atraía o conhecedor e o amador, o crítico e o público. Funcionava como puro entretenimento para alguns e como a mais pura arte para outros. No entanto, a maior parte da arte moderna, incluindo a dramaturgia, não possui esse apelo duplo. Atrai somente aquelas pessoas que realmente possam compreendê-la, pois a diversão moderna freqüentemente atrai apenas aqueles que se comprazem exclusivamente com a simples diversão. Escandalizados, nossos doutores espirituais exigem que os intérpretes ligeiros sejam artistas ou que os artistas sejam divertidos, mas os primeiros são freqüentemente censurados por sua “incultura” e os outros, por seu “intelectualismo”. Seja qual for a solução proposta, caia a culpa onde cair, os fatos em si, são inexoráveis. Existe uma situação peculiar, problemática e talvez revolucionária. O artístico e o comercial tornaram-se antagonistas diretos.

 

Eric Bentley, no livro O Dramaturgo como Pensador (Um estudo da dramaturgia nos tempos modernos), ed. Civilização Brasileira. 

 

 

 

Cada um tem a Bahia que merece.

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