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Quarta feira, 11 de abril de 2007 - Estado de São Paulo, Caderno 2.  

 

Apostando no teatro para inovar na TV

 

  Com orientação artística de Antunes Filho, Cultura convida 16 diretores atuantes nos palcos para renovar teledramaturgia

Beth Néspoli

A vitalidade do teatro paulistano pode contaminar a televisão e inovar a linguagem da ficção em TV desgastada pelo formato telenovelas. Essa é a aposta de um projeto piloto de teledramaturgia realizado em parceria entre a TV Cultura e TV Sesc TV lançado ontem em entrevista coletiva no Teatro Sesc Anchieta. Com orientação artística de Antunes Filho e coordenação do Núcleo de Dramaturgia da TV Cultura, 16 diretores teatrais (leia ao lado) foram convidados para gravar peças teatrais. Cada um deles escolheu o texto a ser gravado, o elenco, a forma de gravação - em estúdio ou externas - e será responsável ainda pela edição dos programas que vão ao ar, acrescidos de um making of de 15 minutos, entre julho e agosto.

'Serão programas piloto', disse Antunes Filho ontem, no saguão do Teatro Sesc Anchieta onde a coletiva foi realizada. 'A necessidade de buscar um nova linguagem na TV foi o principal estímulo para a retomada do Núcleo de Dramaturgia da Cultura, extinto há 30 anos', disse Analy Alvarez, coordenadora do núcleo. Antunes fez uma lista de nomes de diretores e Analy selecionou os 16. 'Escolhemos diretores de teatro; essa era a condição, porque são donos de seu trabalho. E, dentre eles, essa moçada que vem revolucionando a cena paulista. Os que se adaptarem ao formato vão fazer depois os grandes teleteatros, de 1h 30 de duração, que serão exibidos em novembro e dezembro', antecipou.

'Cabe à TV pública fazer novas experiências de linguagem. Tenho certeza de que as inovações decorrentes desse projeto de teledramaturgia vão contribuir para a melhorar a dramaturgia também da TV comercial', aposta Marco Mendonça, presidente da Fundação Padre Anchieta. O diretor do Sesc Danilo Santos Miranda antecipou que, além de também exibir os teleteatros, a TV Sesc vai criar um programa especial para debater questões ligadas ao teatro. 'Aí a participação de Antunes será mais efetiva', disse. Segundo Antunes, os programas piloto são 'testes para ver se os diretores se enquadram na linguagem da TV'. Mas não foi possível descobrir se ele será o responsável pela avaliação de resultados. 'É como tocar piano; é fácil ver se o cara sabe ou não; você vai olhar e ver se deu certo', insistiu Antunes sem dar uma resposta efetiva.

Num programa que aposta no risco, a possibilidade do erro tem de existir. Qual o limite? 'Esse projeto é via de mão dupla', disse Rodolfo García Vazquez, diretor de Os Satyros. 'Ninguém está pedindo favor a ninguém. Se fomos chamados é porque o teatro está se permitindo experimentar. Se resolverem nos enquadrar, vamos pular fora. Não fomos chamados para fazer novelão.'

Três programas já foram gravados - os dirigidos por Marco Antônio Braz, Samir Yazbek e Rodolfo García Vazquez.

A VOZ DOS DIRETORES

“A TV precisa do público - uma relação comercial. Se a formação no País fosse melhor, aumentaria o nível de exigência e sua estrutura aberta funcionaria. Daí a importância desse espaço livre para a experimentação, para o olhar agudo sobre a realidade de um Plínio Marcos, para uma outra formulação artística, sem a padronização das novelas. O público não vai poder mudar o final da peça.”
MARCO ANTÔNIO BRAZ

“A proposta de linguagem da teledramaturgia é muito interessante, mas acabou se restringindo ao formato de novelas. O que faltava era espaço para veicular peças na televisão. Graças à TV Cultura foi possível realizar esse regaste, proporcionando ao teatro encontrar mais um meio de produção para sobreviver. É uma oportunidade única, pois não temos que nos preocupar com o retorno do Ibope, se estamos ou não agradando aos patrocinadores.”
ANDRÉ GAROLLI

“Qorpo Santo na TV é dar voz a quem não tem voz. A importância do programa está no seu caráter de liberdade experimental, nessa experiência de expansão da fronteira do que é conhecido na TV. Como criança, numa brincadeira muito séria, quero experimentar as possibilidades de olhar com três câmeras. Na Cultura encontrei uma equipe disposta a errar com a gente. Finalmente um espaço garantido para a possibilidade de um fracasso absoluto, desde que a gente tenha experimentado para valer.”
GEORGETTE FADEL

“Nós vamos aprender alguma coisa fazendo televisão, mas a televisão também vai aprender com a gente. E se tentarem nos enquadrar, caímos fora.”
RODOLFO GARCÍA VÁZQUEZ


Os Escolhidos

MARCO ANTÔNIO BRAZ
Quando as Máquinas Páram, de Plínio Marcos

SAMIR YAZBEK
Vestígios, de Samir Yazbek

RODOLFO GARCÍA VÁZQUEZ
Porta-Retrato, de R. G. Vázquez

GEORGETTE FADEL
Hoje Sou Um, Amanhã Sou Outro, de Qorpo Santo

MARIA THAÍS
Os Cegos, Ghelderode/Maeterlink

ANDRÉ GAROLLI
Zona de Guerra, de E. O'Neill

DÉBORA DUBOIS
O Cego e o Louco, Cláudia Barral

MAUCIR CAMPANHOLI
Luz da Outra Casa, Pirandello

BETH LOPES
Duas Histórias, de F. Hernández

FRANCISCO MEDEIROS
Homeless, de Noemi Marinho

BETE DORGAM
Orinoco, adaptação B.Dorgam

SÉRGIO DE CARVALHO
Valor de Troca, Sérgio de Carvalho

SÉRGIO FERRARA
Encontro das Águas, de S. Roveri

PEDRO PIRES
O Espelho, de Pedro Pires

MÁRIO BORTOLOTTO
Billy, a Garota, de Bortolotto

LAÍS BODANZKY (a definir)

La Luna. (Joe Sorren)

 

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