Mais uma entrevista surreal da série "Dramaturgos defendem atores do jeito que podem".

 

 

 

 

Escola Paraíso Infantil - Ator precisa estudar?

 

Cláudia Barral - Médico precisa estudar? O ator aprende um ofício, o ofício de interpretar. A sociedade imagina que conseguir fazer o que um ator faz está sempre relacionado a um certo grau de exibicionismo. Muitas famílias já me apresentaram, em almoços de domingo, um sobrinho de três anos que não estuda teatro e que “já é ator!”  

 

Escola Paraíso Infantil - Crianças talentosas e bonitinhas não são atores natos?

 

Cláudia Barral - Não.

 

Escola Paraíso Infantil - Então talento não conta?

 

Cláudia Barral - O talento, a vontade, a inclinação, tudo isso conta. Como em todas as profissões. Mas ninguém nasce ator. A imaginação, a rapidez, o raciocínio que a profissão exige requerem aprendizado e treino. Todo profissional sabe disso, todos os bons atores vivem treinando e se exercitando. Deve ser muito difícil viver numa sociedade que se pergunta se é preciso estudar para ser ator.

 

Escola Paraíso Infantil - Mas então, se atuar é um trabalho como outro qualquer, atores trabalham?

 

Cláudia Barral - Trabalham!

 

Escola Paraíso Infantil - E por quê nem sempre eles recebem?

 

Cláudia Barral - ...  

 

SIC -  Então você sempre trabalha ensaiando bastante?

Ewald Hackler - Sim, porque isso é um investimento como dinheiro, não é?

 

Eu gosto demais dos trabalhos de Ewald Hackler.

O resto da entrevista está no endereço: http://www.siteincena.com.br

 

(A peça Cordel do Amor sem Fim está publicada no mesmo site. Esse site é massa.)

 

 

 

"Eu não sou mais puta!!"

Rachel Pacheco (Ex - Bruna Surfistinha)

 

 

 

Eu nunca vi a menor graça em ser puta.

 

As prostitutas francesas foram imortalizadas (e glamourizadas) por Toulouse Lautrec, em Amsterdã ergueu-se uma estátua em homenagem a todas as putas do mundo, as putas do Rio de Janeiro lançaram uma grife, Jesus perdoou Madalena e ninguém jamais esquecerá Geni, de Chico, Neuza Sueli, de Plínio, Marília Pêra interpretando Sueli, em Pixote, Julia Roberts em Uma Linda Mulher, Natalie Portman com a peruca rosa...

 

Os artistas, por amor, por ideologia, ou pelo Oscar sempre lançaram seu olhar para o submundo. Ou foram o submundo.

 

Galtier inspirou a sua coleção nos mendigos de Paris, Bukowski sujo, bêbado, sociopata, gritando sua miséria na sarjeta, os personagens de Rubem Fonseca, os traficantes de Cidade de Deus, Genet, o ladrão. Adoráveis. Perversos, desajustados e adoráveis.

 

Mas, na realidade, quando cai o pano, quando acende a luz, quando a peça termina e uma criança pergunta “e depois?”,  quando a vida se apresenta nua e dura, me resta a impressão de que o gole da rua é mais travoso.   

 

Essas moças das avenidas têm os olhos de quem já viu coisas demais, de quem aprendeu a rir quando a graça acabou. Com trinta anos já estão velhas.

 

Na minha opinião a prostituição é uma profissão arriscada, que paga mal e que destrói o corpo da mulher. Tem sido a profissão de muitas brasileiras.

 

A verdade é que mais da metade das mulheres que está se prostituindo nas ruas gostaria de estar fazendo outra coisa.  Como gerentes de banco... como garis... como professores da rede pública... Como quase todo mundo.  

 

 

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