Matéria Especial - Entrevista com a Coelha.

Albina, pesando dois quilos, de raça ainda não identificada até o fechamento da matéria, a Coelha Nefertite admite ter passado pelo processo de domesticação, mas não acha que isso tenha prejudicado a sua conexão com seu instintos.

Vamos acompanhar o bate-papo que o Pela Estrada Afora teve com o animal:

Pela Estrada Afora - A história do homem é uma história de conquistas. Conquista de distâncias. Nós fincamos nossa bandeira na lua, atravessamos oceanos, escalamos a maior montanha do planeta, descemos as fossas abissais. Existe um espírito aventureiro em você?

Coelha - Não.

Pela Estrada Afora - Você nunca sonhou em desafiar os seus próprios limites e ir aonde um coelho jamais foi?

Coelha - Não. Eu gosto de roer as coisas.

P.E.A - O que mais você gosta de fazer?

Coelha - Eu gosto de brincar.

P. E. A - Qual é a sua brincadeira favorita?

Coelha - Correr.

P.E.A -  Todos os anos, ao redor do mundo, centenas de pessoas perdem as suas vidas de formas trágicas entre as garras de algum animal. A veiculação de imagens de ataques de tubarões, leões, ursos, cobras, no passado, contribuiu para demonizar certas espécies. Alguns animais eram "feras". Com o mundo abraçando, paulatinamente, a partir da década de 80, as causas ecológicas as pessoas passaram a compreender melhor as razões que levam um animal a atacar. O tubarão deixou de aterrorizar e passou a fascinar o público, sendo o campeão de documentários de tv e publicações em revistas especializadas em animais e a baleia orca deixou de ser assassina e passou a ser a adorável Shamu que os Estados Unidos exportam para o mundo. Você já atacou um ser humano?

Coelha - Já.

P.E.A - Uma vez? Mais de uma vez?

Coelha - Mais de uma vez.

P.E.A - Como foi? O que foi que aconteceu?

Coelha - Uma vez eu mordi a boca de Cau, porque ela tava querendo me beijar na boca, outra vez eu mordi uma amiga dela, porque ela veio me pegar assim que saí do palácio* e eu não gosto e muitas vezes, quando Cau vai cortar minha unha, eu arranho ela toda.

P.E.A - Então nenhum ataque foi violento?

Coelha - Uma vez eu arranhei ela e saiu sangue.

P.E.A - Em quais circunstâncias?

Coelha - Ela ficou me carregando aí eu piquei a unha nela.

P.E.A - Você acha que o ataque é a melhor defesa?

Coelha - Não.

P.E.A - Como foi a experiência de ser mãe?

Coelha - Eu matei dois filhos.

P.E.A - Como foi isso?

Coelha - Eu não podia dar de mamar pra todo mundo, aí eu matei eles.

P.E.A - Algum remorso, algum arrependimento?

Coelha - Não.

P.E.A - Algum acidente?

Coelha - Eu comi uma mariposa, sem querer.

P.E.A - Você tem algum medo, fobia, frustração, neurose,  recalque,  perversão,  psicose, distúrbio, vício, tara, sofre de melancolia, ansiedade, depressão e/ou insônia? 

Coelha - Não.

P.E.A - Você pode dizer uma frase para os nossos leitores?

Coelha - Eu gosto de comer papelão.

 

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