Glauber Rocha disse, uma vez, que o artista brasileiro tinha que vencer seu complexo de inferioridade no grito.
Nós vencemos. Passamos para o outro lado da moeda. Ficamos pretenciosos e arrogantes.
É impossível assistir as entrevistas do cinestas cariocas, dos dramaturgos paulistas, dos atores (de onde quer que surjam esses deuses), e dos artistas de forma geral sem sentir nojo. Porque todos falam de seus novos projetos (e dos passados) como se tivessem trazido para a cultura a contribuição mais importante, mais inovadora e mais interessante que a pobre cultura já tenha visto. E os outros artistas concordam. E todos empinam o nariz. E ninguém faz NADA que preste.
Com isso não digo que EU, o indivíduo, não tenha visto alguma coisa, um filme, uma banda, uma interpretação interessantes, nesse país, nos últimos anos. Vi. Vi coisas interessantes. Muito interessantes. Mas NADA que justifique a postura e o discurso desses boçais.
COMO é que DE REPENTE nós ficamos TÃO boçais? E por tão pouco?
Será que foram pelas malditas indicações ao Oscar?
Será que foi por que o público voltou/começou a frequentar os cinemas?
Será que foi por que os atores começaram a ganhar fortunas?
Será que foi por que os autores de novelas começaram a virar celebridades e aí todos os escritores começaram a achar que a profissão deles valia alguma coisa?
Será que foi por que nos revoltamos com todos os anos que fomos chamados de putas, bichas e maconheiros?
Eu não sei como é que foi.
Só sei que eu não consigo assistir ninguém da pretensa classe criativa desse país abrir a boca pra falar nada sem sentir aquele desconforto que se sente quando falta trabalho e humildade numa mesma frase.
E sobre os atores brasileiros (que é a classe que me dá mais raiva, porque são eles que, geralmente, fodem com o meu trabalho, trabalho esse que eu me esforço mais do que a maioria das pessoas que eu conheço pra fazer decentemente), me dá vontade de cuspir na cara deles quando eu me lembro de como os russos trabalham e de como se trabalha aqui.
E não, não vou me mudar, porque eu sei que só há a possibilidade de eu ser feliz, hoje, vivendo onde eu vivo, com as pessoas que eu vivo. Então eu vou ficar sentindo raiva e aplaudindo as exceções. Que são raríssimas.
Mas é tudo uma grande piada. Eu, inclusive. Mas eu não mostro minha arma sem ter bala na agulha, pelo menos.
E, falando em pelo menos, nós ganhamos da Austrália no futebol, pelo menos!



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