Cada haste de relva tem o seu anjo, que se inclina sobre ela e sussurra: "Cresce, cresce!"

                                                                                                                                                  Talmude

 



Escrito por Cláudia Barral às 22h50
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

A Cidade Deserta.

 

 

 

Não. Você não está. Só está a sua ausência. A sua densa ausência, seus longos silêncios, nossa tristeza compartilhada, a tragédia de sermos nós: seus olhos vazios e os meus famintos.  

 

Te busco entre os segredos que guardei de mim mesma, esse mar imenso.

 

 



Escrito por Cláudia Barral às 11h20
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

 

São tantas Bahias: a sua, a minha, a que já não está tão azul e mais. Tem pena de mim, eu sou um menino ainda. Quanto mais distante, mais próximo me sinto. São quantos os santos? São todos. São meus pais.

Quando ela passa, a baiana, eu ouço o mar. É tanta água na fala. É tanta água.

São tantas baianas. São todos os santos e eu te vendo passar.

Quando ela passa, me leva embora.

 

 



Escrito por Cláudia Barral às 16h02
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

                                                                                                                    São Paulo

 

Na guerra tudo é mais duro: o frio, a passagem do tempo, o olhar dos homens, a minha solidão. E maior do que o viver, é o lutar.

Em casa interessa viver. Viver, apenas.

Mas a guerra dá mais abrigo que a casa.

Ogum, iê.  

 



Escrito por Cláudia Barral às 14h33
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

Hoje, até intelectuais fazem pose.



Escrito por Cláudia Barral às 09h31
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

Quero uma balada nova.



Escrito por Cláudia Barral às 08h50
[   ] [ envie esta mensagem ]




Notas.

 

 

 (primeira)

 

Eu sou a mais mulher da cidade. O seu nome está entre meus dentes.

O seu nome, ao invés das placas de sinalização. Hoje eu li a carta de um homem que queria parar. Eu também quero parar. Mas há essa ordem e eu a sigo. Por quê? Não há resposta.

 

 

 

 



Escrito por Cláudia Barral às 00h26
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

Minha solidão: Pássaro vivo que me olha, coisa vasta.

 



Escrito por Cláudia Barral às 18h35
[   ] [ envie esta mensagem ]




Conversa com o forte.

 

 

Eu, que dei tudo que me era valioso , que não tenho nada, eu me curvo. Eu digo sim, como uma planta está sempre dizendo sim, ainda que existir seja doer.

 

Já você, lugar onde nunca ninguém morreu, você não entende. 

 

Solitário, bradando para a sua legião de fortes, você parece ser ainda mais forte. 

 

Mas a você, que é de pedra, eu pergunto: são de flores ou de sangue os caminhos que te levam? É de amor ou de mágoa o lugar que te possui?

 



Escrito por Cláudia Barral às 10h42
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer. Eis que o sujeito
desce na estação do metrô. Vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se
próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo
para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal.

Mesmo assim, durante os 45 minutos que tocou, foi praticamente ignorado
pelos passantes. Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores
violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento
raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de
dólares.

Alguns dias antes Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os
melhores lugares custam a bagatela de 1000 dólares.

A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro,
copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço,
indiferentes ao som do violino.

A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um
debate sobre valor, contexto e arte.

A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num
contexto. Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem
etiqueta de grife.

Esse é um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em nossas vidas
que são únicas, singulares, e a que não damos a menor bola porque não vêm
com a etiqueta de seu preço.
O que tem valor real para nós, independentemente de marcas, preços e grifes?
É o que o mercado diz que você deve ter, sentir, vestir ou ser?

Essa experiência mostra como na sociedade em que vivemos os nossos
sentimentos e a nossa apreciação de beleza são manipulados pelo mercado,
pela mídia, e pelas instituições que detém o poder financeiro.

Mostra -nos como estamos condicionados a nos mover quando estamos no meio
do rebanho.

 

 

 



Escrito por Cláudia Barral às 22h25
[   ] [ envie esta mensagem ]




 *

Trechos de Cartas Não sobre o Amor, de Victor Shklovsky. 

"Liberte minhas palavras para que elas possam vir até você como cães a seus donos. Eu amo você com arrebatamento, com sinos. Estas são as palavras. A minha vida inteira é uma carta pra você. "

 

* Cena do espetáculo Não Sobre o Amor.

Adaptação e direção: Felipe Hirsch e Murilo Hauser
Elenco: Leonardo Medeiros e Arieta Corrêa
Local: Centro Cultural Banco do Brasil
Preço(s):R$ 15,00.
Data(s):Até 6 de julho de 2008.
Horário(s):Quinta a Sábado às 19h30m / Domingos, 18h



Escrito por Cláudia Barral às 23h09
[   ] [ envie esta mensagem ]




Bar ruim é lindo, bicho - Por Antonio Prata

 

Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de cento e cinqüenta anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de cento e cinqüenta anos, mas tudo bem).

No bar ruim que ando freqüentando ultimamente o proletariado atende por Betão – é o garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas, acreditando resolver aí quinhentos anos de história.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar “amigos” do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.

– Ô Betão, traz mais uma pra a gente – eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte dessa coisa linda que é o Brasil.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte dessa coisa linda que é o Brasil, por isso vamos a bares ruins, que têm mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gâteau e não tem frango à passarinho ou carne-de-sol com macaxeira, que são os pratos tradicionais da nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gâteau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, gostamos do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne-de-sol, uma lágrima imediatamente desponta em nossos olhos, meio de canto, meio escondida. Quando um de nós, meio intelectual, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectuais, meio de esquerda, freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.

O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e, um belo dia, a gente chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e, principalmente, universitárias mais ou menos gostosas. Aí a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevette e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.

Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantêm o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam cinqüenta por cento o preço de tudo. (Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato). Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se dão mal, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão Brasil, tão raiz.

Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda em nosso país. A cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelos Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gâteau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda que, como eu, por questões ideológicas, preferem frango à passarinho e carne-de-sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca, mas é como se diz lá no Nordeste, e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o Nordeste é muito mais autêntico que o Sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é bem mais assim Câmara Cascudo, saca?).

– Ô Betão, vê uma cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?


Escrito por Cláudia Barral às 22h37
[   ] [ envie esta mensagem ]




Woudn't be a lovely headline "Life is beautifull" on New York Times?

Rufus Wainwright.

 

(Yes!!!!!!!!)



Escrito por Cláudia Barral às 12h22
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

Encontro Independente do que Possa Acontecer

"Dos Lugares aos Não-lugares"

1 de Junho - domingo

Trata-se de um espaço (relacional, físico, histórico e temporal) para integração de projetos artísticos de diversas áreas em um mesmo tema. Exposição de fotos e artes plásticas, simultâneas a apresentações musicais e performances teatrais. Também, serão realizados ateliês e pequenos workshops ao longo do dia. No fim da tarde, uma sessão de curtas, seguida de um show encerram a programação.

No TEATRO DENOY DE OLIVEIRA 
a partir das 12h
Rua Rui Barbosa, 323 - Bela Vista
São Paulo.

O mundo evolui em cidades, ocupadas por gente, que ocupa não-lugares

 

Não-lugares são as vias de acesso, os espaços públicos de rápida circulação e conglomerados neutros, como supermercados, aeroportos, shopping-centers e hotéis. Que se opõem aos lugares, definidos como identitários, relacionais e históricos, ou seja, a sua casa, seu bar preferido ou a praça da rua de trás. 

http://www.naolugaresemvoce.blogspot.com/

 




Escrito por Cláudia Barral às 22h47
[   ] [ envie esta mensagem ]






Escrito por Cláudia Barral às 17h44
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]




 



Meu perfil
BRASIL, Mulher
Histórico
  10/08/2008 a 16/08/2008
  03/08/2008 a 09/08/2008
  20/07/2008 a 26/07/2008
  22/06/2008 a 28/06/2008
  15/06/2008 a 21/06/2008


Outros sites
  Marcos Barbosa
  Como Almodóvar
  Flickr
  Julie
  Babi
  Lisa Vietra
  Fábio Ferreira
  Marina Martinelli
  Márcia Castro
  João Perene
  Mila
  Patrícia Rammos
  Bert Christensen
  Mark Ryden
  Kathie Olivas
  Joe Sorren
  Alices
  All Posters
  Yves Klein
  Outros Dias
  Site In Cena.
  Cadernos Grampeados
  Indutos
  Vislumbres Semióticos.
  Eu sou Amelie
  Teatro Nu
  Blog de Subsolo (Johnny Kagyn)
  Blog do Eu Sozinho
  Blog do Galhardo
  Herr Doktor Quinn
  Palavra de Girafa
  Eu sou o Senhor do Castelo.
  A Gente Sempre Tenta
  No mínimo - Olha só.
  Puta Madre Cabron
  Inscrições Sempre Abertas.
  Infinitivamente Pessoal
Votação
  Dê uma nota para meu blog